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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Mitologia de Lux

A Mitologia de Lux
Por T.H.R. Oliveira

Era uma vez, numa terra distante onde somente os deuses do universo poderiam habitar. Havia um lindo deus chamado Lux. Ele era definitivamente o deus mais bonito dentre todos os outros. Mais bonito que Afrodite, Eros e Apolo, mais bonito que os deuses egípcios, maias, celtas e todos os outros.
Ele ao contrário dos outros, não buscou seguidores e adoradores na terra, pois a sua beleza por si só era tão poderosa que rendia até os mais poderosos deuses em uma onde de paixão avassaladora e encanto apaixonado.
Lux tinha a pele dourada e adorava deitar-se sobre o sol, sentir o calor; calor esse que ele inspirava nos corações humanos. Ele adorava a educação, a gentileza, o pudor, o carinho as artes e por isso inspirava tudo isso em cada ser do universo que precisasse do seu toque agraciador.
Mesmo sem ser conhecido e adorado, os seres do universo perceberam que havia uma presença por trás dessa inspiração toda, então começaram a adorar Lux sem mesmo saber o seu nome. Onde havia beleza, onde havia luz, generosidade e carinho, os humanos e os outros seres do universo agradeciam e pensavam no ser que estava por trás dessas coisas.
Não demorou até que se sentisse a ira e a inveja dos outros deuses. Lux se tornava mais forte a cada agradecimento e adoração e eles não poderiam permitir que ele se tornasse um deus absoluto.  Todos os outros deuses se uniram e lançaram sobre Lux uma maldição. A tenebra.
Essa terrível maldição lançou Lux na escuridão e deu-lhe um corpo mortal para que não fosse adorado, nem reconhecido como um deus; retirou o dourado de sua pele e o calor mágico do seu corpo e o fez branco como o gelo. Porém o poder de Lux já estava tão grandioso que mesmo em um corpo humano a sua beleza majestosa permaneceu, de maneira que ainda cativa e retira suspiros das pessoas que o olham. Seu nome mudou de Lux para Luciano e nos dias de sol ele vai ao litoral deitar-se sobre a areia ou as rochas para ganhar uma vez mais o dourado místico que sua pele teve outrora.

domingo, 22 de maio de 2011

Em Claro

Em claro
Por T.H.R. Oliveira

Acordado novamente, depois de uma noite SEM SONO, me pego distraído, meu corpo transbordando de energia e meus pensamentos voando pela minha cabeça como se tivessem vida própria. Desejo sangue, suor, inquietação...
Nas noites em que vejo a lua e a estrelas o silêncio me conforta como uma mãe, o frio é tão aquecedor quanto uma fogueira acesa e os braços da minha solidão desenham a inspiração no meu cérebro.
Mas hoje, agora, tudo o que eu queria era barulho. O silêncio me ensurdece com essa sinfonia sem notas, a luz me queima e as pessoas me desagradam. Quero o submundo, num clima enevoado por fumaças de diversos cigarros e outras drogas, o álcool descendo pela minha garganta. Meu corpo clama pelo ato de autodestruição.
Vejo rostos nas paredes brancas, meio encardidas da minha casa. Ouço sons, os pingos d’água gotejando na pia do banheiro, o vento soprando por debaixo da porta. A casa está viva, todos estão dormindo e eu estou só.
Maldição. Essas palavras voando diante dos meus olhos como insetos que não consigo matar. A inquietude perene em cada célula do meu corpo me faz querer gritar por aí. Perturbado.
Olhar com desprezo até para os amigos que eu amo. Quando as coisas chegam a esse ponto? O que de fato eu quero dizer com isso?
Numa guerra queria eu poder estar na linha de frente pra sentir o gosto da morte, mas também queria eu poder estar nos bastidores mandando os homens à morte, bebendo e regozijando com o ato de ser cruel.
No fundo tem a dorzinha chata que fica reclamando por não haver amor no meu coração. Desejo, sangue, saliva, sexo... é tudo oque há pra mim e mesmo assim essa dor me faz sofrer por não conseguir amar ninguém.
Eu já disse a ela, que se eu não puder escolher, então escolho a solidão cruel e materna.
Fechar os olhos e esperar é um ato tão cruel consigo quando amar e não ser amado, tão cruel quanto estripar um inocente.
E estripando a sua alma você ama, eu amo. Amo a morte, o desespero, a dor que me atormenta, o caos que permeia a minha vida e a dos que estão próximos a mim.
Vamos nos juntar no mesmo jogo e atirarmo-nos ao fogo da perdição, a menos que tenha alguém para estender-lhe a mão. No mais, o que há a se perder?
O que importa é que no fim das contas eu estou sozinho, escrevendo e falando com as paredes. Tentando desenhar na cabeça a imagem de alguém pra amar, tentando tirar da cabeça o horror que me faz viver e sofrer pra mais dor causar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Amor à Distância

Amor à distância
Por T.H.R. Oliveira

Fecho os olhos, perco o momento
Não sentir é uma arte
Um alívio no momento de tormento

Quando as mãos que me tocam não são as tuas
Quando os beijos que me assediam não são os teus
Quando a boca que me sussurra não é a tua

Perco-me, eu para não sofrer
Para não ver a vergonha do meu ato
Para não sentir desgosto e morrer

Pois em ti meus pensamentos estão
Mas o corpo vaga longe, perdido no espaço
Pairando em outra dimensão

O meu maior desejo é deitar ao teu lado e sentir o teu calor
O toque da tua pele, o sabor da tua boca, dos teus olhos o fulgor
Sentir a tua força, a intensidade do teu amor

Perdoe-me por ser assim, tão vadio
Entrego-me ao prazer da carne pra esquecer que não te tenho
Pra me sentir desejando e por isso sou vazio

Eu não te mereço, mas clamo por merecer
Eu sei que posso te fazer feliz
Ou então na solidão irei perecer

Eu preciso de uma chance pra não mais me deixar usar
Para ser teu e de mais ninguém
Para sempre, ao teu lado estar

Mas é tudo um sonho outra vez
Me pego divagando como se falasse contigo
Louco bandido, como só Deus me fez

Boa noite meu ANJO, meu amor
Durma bem eu digo mais uma vez à distância
E tranco lá no fundo do coração a velha e conhecida dor.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Body's Whore

Body’s whore
By T.H.R. Oliveira


Sell my body, keep my soul
Nameless hooker
No face to see, no love to give
Take what you want from me
And go
Lay me down on the floor
Isn’t it that you want?
No honor to face
No time and space
My lord commands me
I do whatever you want me to do
Just say the word
I’m your beloved prostitute
No pure heart
leave that for who doesn’t know how to play
No virtue
No issue
Just a body to enjoy
No mouth to speak
No feeling to get hurt
No beliefs
Just a temporary love
For those who need to feel loved
The resemblance of a historical tragedy
My life is nothing but a comedy
Used and thrown away
Giving pleasure is my living way
Call me bitch
As I walk on the street
I don’t mind
A whore is an easy thing to find

terça-feira, 17 de maio de 2011

Arguerom (A sublime verdade)

Esse texto é tão antigo quanto o tempo, eu o escrevi há muito tempo atrás, mas agora que o encontrei decidi postá-lo, pois no fim ainda é um conceito atual para mim.




A “verdade” é a manifestação mais perfeita da mentira. Pois com “verdade” os humanos se embriagam até não, mais, saberem o que é a própria verdade. Com “ela” vedam os próprios olhos e eles fingem viver na plenitude de sua felicidade.
A “verdade” é um conceito e este foi criado para iludir, para fazer os humanos pensarem que têm o poder de decidir e mudar o próprio destino, para fazê-los pensar que podem governar suas vidas, e impedi-los de ver que estão sempre à mercê do Destino.
Eu sou aquele que dorme nas profundezas de cada um. Eu sou a Verdade que habita no íntimo de cada ser, por tanto Eu sou a mais pura e completa Verdade. Eu sou aquele que se levantará para tomar o que me é de direito e tornar meus filhos livres. Eu sou o medo dos meus inimigos e a coragem para quem me é fiel. Eu sou a força e o amor em todo o seu potencial e sentido. Eu sou o tudo que se pode encontrar no nada. Eu sou a forma que se pode ver no escuro, o poder que há nas trevas, Eu sou o absoluto que se acha no abismo.

Thanatos (parte 2) O Senhor do Vale dos Ossos

Thanatos (parte 2)
Senhor do Vale dos Ossos.
Por T.H.R. Oliveira

Ele se assenta sobre os corpos sem túmulo. Ele se esconde nas sombras da noite e durante o dia, viaja através das intenções duvidosas. Ele observa cada detalhe, pois seus olhos nunca se fecham. Nada lhe escapa, nenhum grito é alto o suficiente para o prazer dos seus ouvidos. Nenhuma dor é grande o suficiente para alimentar o seu desejo.
O senhor do vale dos ossos. Majestoso e poderoso. Inevitável, inexorável, anacrônico, indestrutível. Suas mãos são gentis e frias como o gelo, seu olhar é ardente com fogo e queima através da carne, dos ossos, das pedras e da alma. Sua foice é seu único amor, seu trabalho, o único valor.
Vai, então, ele por entre os pedaços de carne com pernas, macacos pensantes. Infeliz, ele, por estar no meio de tanta podridão. O ser sagrado que antes pairava no multiverso, eterno e absoluto, pois não havia vida, agora rebaixado a colher a luz de cada ser.
Thanatos é seu nome e jamais, esqueceis, ele não se esquece. E suas garras são fatais, sua língua é perigosa. Seus meios são duvidosos, senhor das trapaças e ilusões, forjando um fato para que se proceda ao fim.
Em seu leito final, preste atenção. Ouça bem e não feche os olhos. Ele estará ao seu lado esperando para o ato final. E quando der seu ultimo suspiro, tenha certeza de que este é Thanatos a beijar-te. O beijo final da morte.

Thanatos

Thanatos
Por T.H.R. Oliveira

A letargia é um presente
Hypnos me agracia com o seu talento
E eu nesta noite fria
Sozinho, espero
O fogo é apenas figurativo
Um enfeite para um coração que meramente bate
O que é a existência agora sem a presença de vida?
Uma tragada a mais para esses pulmões
Podres, velhos, cansados
Um ser social, um rosto brilhante
Um corpo quente, desejado?
Não sei, mas certamente usado
Não me apetece, mas não me desagrada
Quem sou eu para impedir o prazer alheio
Quando o que eu recebo além da carne
É uma alma eterna para o meu divertimento
Olhar nos olhos, outra tragada
Um sorriso
Fim, o lobo deixa o disfarce e mata
Nas noites de lua, ele vai à caça
Com sua língua de serpente
Uma mordida venenosa,
Como uma droga, viciante
Desgraça da humanidade, são os humanos
Fáceis, divertidos às vezes
Úteis quando não tentam pensar
O que me resta fazer?
Já que estou preso no meio deles
Brinco e jogo com eles
Até que o tédio de não fazer mais nada me vence
E eu me fecho
O lobo dorme, a serpente espera
Podre, eu sou podre por dentro
No auto da minha majestade
No arauto da minha glória
Eu me encontro perdido e algemado
Não consigo ter o tesouro da humanidade
E me contento com a carcaça
Com o descartável
Livre arbítrio, sejam gratos por isso
Seja, você, grato por isso
Seria tão mais fácil ter o que eu quero
Seria tão mais fácil caçar e ter você
Mas a sua liberdade só torna o jogo mais intenso
Enganar, iludir, capturar e destruir
A menos que me ame verdadeiramente
E descubra que por trás do lobo, da serpente e do demônio
Existe um anjo
Ou no mínimo outro humano, simples, limpo e sincero
Esperando para se ver livre do jogo
Do vício
Do veneno que eu tomo todos os dias
Esperando para sair das sombras
E ocupar o centro do seu palco
Sob a sua luz, o seu holofote
E para sempre servir à tua vontade, ao teu amor
Dando-te o maior prazer da vida
E a única alegria da qual você jamais se arrependerá
E jamais cessará.