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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Mitologia de Lux

A Mitologia de Lux
Por T.H.R. Oliveira

Era uma vez, numa terra distante onde somente os deuses do universo poderiam habitar. Havia um lindo deus chamado Lux. Ele era definitivamente o deus mais bonito dentre todos os outros. Mais bonito que Afrodite, Eros e Apolo, mais bonito que os deuses egípcios, maias, celtas e todos os outros.
Ele ao contrário dos outros, não buscou seguidores e adoradores na terra, pois a sua beleza por si só era tão poderosa que rendia até os mais poderosos deuses em uma onde de paixão avassaladora e encanto apaixonado.
Lux tinha a pele dourada e adorava deitar-se sobre o sol, sentir o calor; calor esse que ele inspirava nos corações humanos. Ele adorava a educação, a gentileza, o pudor, o carinho as artes e por isso inspirava tudo isso em cada ser do universo que precisasse do seu toque agraciador.
Mesmo sem ser conhecido e adorado, os seres do universo perceberam que havia uma presença por trás dessa inspiração toda, então começaram a adorar Lux sem mesmo saber o seu nome. Onde havia beleza, onde havia luz, generosidade e carinho, os humanos e os outros seres do universo agradeciam e pensavam no ser que estava por trás dessas coisas.
Não demorou até que se sentisse a ira e a inveja dos outros deuses. Lux se tornava mais forte a cada agradecimento e adoração e eles não poderiam permitir que ele se tornasse um deus absoluto.  Todos os outros deuses se uniram e lançaram sobre Lux uma maldição. A tenebra.
Essa terrível maldição lançou Lux na escuridão e deu-lhe um corpo mortal para que não fosse adorado, nem reconhecido como um deus; retirou o dourado de sua pele e o calor mágico do seu corpo e o fez branco como o gelo. Porém o poder de Lux já estava tão grandioso que mesmo em um corpo humano a sua beleza majestosa permaneceu, de maneira que ainda cativa e retira suspiros das pessoas que o olham. Seu nome mudou de Lux para Luciano e nos dias de sol ele vai ao litoral deitar-se sobre a areia ou as rochas para ganhar uma vez mais o dourado místico que sua pele teve outrora.

domingo, 22 de maio de 2011

Em Claro

Em claro
Por T.H.R. Oliveira

Acordado novamente, depois de uma noite SEM SONO, me pego distraído, meu corpo transbordando de energia e meus pensamentos voando pela minha cabeça como se tivessem vida própria. Desejo sangue, suor, inquietação...
Nas noites em que vejo a lua e a estrelas o silêncio me conforta como uma mãe, o frio é tão aquecedor quanto uma fogueira acesa e os braços da minha solidão desenham a inspiração no meu cérebro.
Mas hoje, agora, tudo o que eu queria era barulho. O silêncio me ensurdece com essa sinfonia sem notas, a luz me queima e as pessoas me desagradam. Quero o submundo, num clima enevoado por fumaças de diversos cigarros e outras drogas, o álcool descendo pela minha garganta. Meu corpo clama pelo ato de autodestruição.
Vejo rostos nas paredes brancas, meio encardidas da minha casa. Ouço sons, os pingos d’água gotejando na pia do banheiro, o vento soprando por debaixo da porta. A casa está viva, todos estão dormindo e eu estou só.
Maldição. Essas palavras voando diante dos meus olhos como insetos que não consigo matar. A inquietude perene em cada célula do meu corpo me faz querer gritar por aí. Perturbado.
Olhar com desprezo até para os amigos que eu amo. Quando as coisas chegam a esse ponto? O que de fato eu quero dizer com isso?
Numa guerra queria eu poder estar na linha de frente pra sentir o gosto da morte, mas também queria eu poder estar nos bastidores mandando os homens à morte, bebendo e regozijando com o ato de ser cruel.
No fundo tem a dorzinha chata que fica reclamando por não haver amor no meu coração. Desejo, sangue, saliva, sexo... é tudo oque há pra mim e mesmo assim essa dor me faz sofrer por não conseguir amar ninguém.
Eu já disse a ela, que se eu não puder escolher, então escolho a solidão cruel e materna.
Fechar os olhos e esperar é um ato tão cruel consigo quando amar e não ser amado, tão cruel quanto estripar um inocente.
E estripando a sua alma você ama, eu amo. Amo a morte, o desespero, a dor que me atormenta, o caos que permeia a minha vida e a dos que estão próximos a mim.
Vamos nos juntar no mesmo jogo e atirarmo-nos ao fogo da perdição, a menos que tenha alguém para estender-lhe a mão. No mais, o que há a se perder?
O que importa é que no fim das contas eu estou sozinho, escrevendo e falando com as paredes. Tentando desenhar na cabeça a imagem de alguém pra amar, tentando tirar da cabeça o horror que me faz viver e sofrer pra mais dor causar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Amor à Distância

Amor à distância
Por T.H.R. Oliveira

Fecho os olhos, perco o momento
Não sentir é uma arte
Um alívio no momento de tormento

Quando as mãos que me tocam não são as tuas
Quando os beijos que me assediam não são os teus
Quando a boca que me sussurra não é a tua

Perco-me, eu para não sofrer
Para não ver a vergonha do meu ato
Para não sentir desgosto e morrer

Pois em ti meus pensamentos estão
Mas o corpo vaga longe, perdido no espaço
Pairando em outra dimensão

O meu maior desejo é deitar ao teu lado e sentir o teu calor
O toque da tua pele, o sabor da tua boca, dos teus olhos o fulgor
Sentir a tua força, a intensidade do teu amor

Perdoe-me por ser assim, tão vadio
Entrego-me ao prazer da carne pra esquecer que não te tenho
Pra me sentir desejando e por isso sou vazio

Eu não te mereço, mas clamo por merecer
Eu sei que posso te fazer feliz
Ou então na solidão irei perecer

Eu preciso de uma chance pra não mais me deixar usar
Para ser teu e de mais ninguém
Para sempre, ao teu lado estar

Mas é tudo um sonho outra vez
Me pego divagando como se falasse contigo
Louco bandido, como só Deus me fez

Boa noite meu ANJO, meu amor
Durma bem eu digo mais uma vez à distância
E tranco lá no fundo do coração a velha e conhecida dor.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Body's Whore

Body’s whore
By T.H.R. Oliveira


Sell my body, keep my soul
Nameless hooker
No face to see, no love to give
Take what you want from me
And go
Lay me down on the floor
Isn’t it that you want?
No honor to face
No time and space
My lord commands me
I do whatever you want me to do
Just say the word
I’m your beloved prostitute
No pure heart
leave that for who doesn’t know how to play
No virtue
No issue
Just a body to enjoy
No mouth to speak
No feeling to get hurt
No beliefs
Just a temporary love
For those who need to feel loved
The resemblance of a historical tragedy
My life is nothing but a comedy
Used and thrown away
Giving pleasure is my living way
Call me bitch
As I walk on the street
I don’t mind
A whore is an easy thing to find

terça-feira, 17 de maio de 2011

Arguerom (A sublime verdade)

Esse texto é tão antigo quanto o tempo, eu o escrevi há muito tempo atrás, mas agora que o encontrei decidi postá-lo, pois no fim ainda é um conceito atual para mim.




A “verdade” é a manifestação mais perfeita da mentira. Pois com “verdade” os humanos se embriagam até não, mais, saberem o que é a própria verdade. Com “ela” vedam os próprios olhos e eles fingem viver na plenitude de sua felicidade.
A “verdade” é um conceito e este foi criado para iludir, para fazer os humanos pensarem que têm o poder de decidir e mudar o próprio destino, para fazê-los pensar que podem governar suas vidas, e impedi-los de ver que estão sempre à mercê do Destino.
Eu sou aquele que dorme nas profundezas de cada um. Eu sou a Verdade que habita no íntimo de cada ser, por tanto Eu sou a mais pura e completa Verdade. Eu sou aquele que se levantará para tomar o que me é de direito e tornar meus filhos livres. Eu sou o medo dos meus inimigos e a coragem para quem me é fiel. Eu sou a força e o amor em todo o seu potencial e sentido. Eu sou o tudo que se pode encontrar no nada. Eu sou a forma que se pode ver no escuro, o poder que há nas trevas, Eu sou o absoluto que se acha no abismo.

Thanatos (parte 2) O Senhor do Vale dos Ossos

Thanatos (parte 2)
Senhor do Vale dos Ossos.
Por T.H.R. Oliveira

Ele se assenta sobre os corpos sem túmulo. Ele se esconde nas sombras da noite e durante o dia, viaja através das intenções duvidosas. Ele observa cada detalhe, pois seus olhos nunca se fecham. Nada lhe escapa, nenhum grito é alto o suficiente para o prazer dos seus ouvidos. Nenhuma dor é grande o suficiente para alimentar o seu desejo.
O senhor do vale dos ossos. Majestoso e poderoso. Inevitável, inexorável, anacrônico, indestrutível. Suas mãos são gentis e frias como o gelo, seu olhar é ardente com fogo e queima através da carne, dos ossos, das pedras e da alma. Sua foice é seu único amor, seu trabalho, o único valor.
Vai, então, ele por entre os pedaços de carne com pernas, macacos pensantes. Infeliz, ele, por estar no meio de tanta podridão. O ser sagrado que antes pairava no multiverso, eterno e absoluto, pois não havia vida, agora rebaixado a colher a luz de cada ser.
Thanatos é seu nome e jamais, esqueceis, ele não se esquece. E suas garras são fatais, sua língua é perigosa. Seus meios são duvidosos, senhor das trapaças e ilusões, forjando um fato para que se proceda ao fim.
Em seu leito final, preste atenção. Ouça bem e não feche os olhos. Ele estará ao seu lado esperando para o ato final. E quando der seu ultimo suspiro, tenha certeza de que este é Thanatos a beijar-te. O beijo final da morte.

Thanatos

Thanatos
Por T.H.R. Oliveira

A letargia é um presente
Hypnos me agracia com o seu talento
E eu nesta noite fria
Sozinho, espero
O fogo é apenas figurativo
Um enfeite para um coração que meramente bate
O que é a existência agora sem a presença de vida?
Uma tragada a mais para esses pulmões
Podres, velhos, cansados
Um ser social, um rosto brilhante
Um corpo quente, desejado?
Não sei, mas certamente usado
Não me apetece, mas não me desagrada
Quem sou eu para impedir o prazer alheio
Quando o que eu recebo além da carne
É uma alma eterna para o meu divertimento
Olhar nos olhos, outra tragada
Um sorriso
Fim, o lobo deixa o disfarce e mata
Nas noites de lua, ele vai à caça
Com sua língua de serpente
Uma mordida venenosa,
Como uma droga, viciante
Desgraça da humanidade, são os humanos
Fáceis, divertidos às vezes
Úteis quando não tentam pensar
O que me resta fazer?
Já que estou preso no meio deles
Brinco e jogo com eles
Até que o tédio de não fazer mais nada me vence
E eu me fecho
O lobo dorme, a serpente espera
Podre, eu sou podre por dentro
No auto da minha majestade
No arauto da minha glória
Eu me encontro perdido e algemado
Não consigo ter o tesouro da humanidade
E me contento com a carcaça
Com o descartável
Livre arbítrio, sejam gratos por isso
Seja, você, grato por isso
Seria tão mais fácil ter o que eu quero
Seria tão mais fácil caçar e ter você
Mas a sua liberdade só torna o jogo mais intenso
Enganar, iludir, capturar e destruir
A menos que me ame verdadeiramente
E descubra que por trás do lobo, da serpente e do demônio
Existe um anjo
Ou no mínimo outro humano, simples, limpo e sincero
Esperando para se ver livre do jogo
Do vício
Do veneno que eu tomo todos os dias
Esperando para sair das sombras
E ocupar o centro do seu palco
Sob a sua luz, o seu holofote
E para sempre servir à tua vontade, ao teu amor
Dando-te o maior prazer da vida
E a única alegria da qual você jamais se arrependerá
E jamais cessará.

Tears Like Rain

Tears like rain
By T.H.R. Oliveira

I see it fall, myself
I'm gazing myself falling in love
And there's nothing I can do now
I’m trapped into this maze

Again
The crush in my bones
The feeling of dieing of love
Smashing me down
There’s nothing for me now

But there's a thing to do
And I’ll always do, always for you
There’s me and you
And I’ll fight for you, fight for you
The end of games, no play
And you'll find the truth, find the truth

I see fire in the sky
And my tears fall from up high
Like it's rain but I'm tired and ashamed
For the fear's the same, the same.

When I see your face
It’s like being struck by a lightning on my head
And your smile's like the sun
There can be no life, there can be no fun

Cause there a thing to do
And I'll get it through, get it through
Get over you and all that you do
Because you don't want to, don't want to
And no more how to play
There’s only you, only you

And I see fire in the sky
And my tears fall from up high
Like it's rain but I'm tired and ashamed
Cause the fear's and the pain is the same.

And I see fire in the sky
And my tears fall from up high
Like it's rain but I'm tired and ashamed
For the fear's the same, the same.

You may think I'm going crazy
And I must be doing my greatest mistake
Leaving you, getting over
I can handle living without you ah

And I see fire in the sky
And my tears fall from up high
Like it's rain but I'm tired and ashamed
For the fear's the same, the same.

Imaginário

Imaginário
Por T.H.R.Oliveira

Ele era um garoto que adorava viver no mundo que criava quando começava a escrever. Desenhava as personagens desse mundo e idealizava um amor baseando-se em alguém que ele realmente conhecia, mas que sabia que seria impossível ter.
Ele se gabava por dizer que tinha amor próprio o suficiente para viver sozinho até que a pessoa que ele tanto idealizou se materializasse e viesse ao seu encontro, como tantas vezes ele sonhou que aconteceria.
Chegaram a dizer para ele, uma língua cruel e amargurada, com inveja certamente por não poder demonstrar o controle que gostaria sobre o próprio desespero, que era bonito como ele dizia tudo de forma poética, mas que já era hora de ele largar os livros de poesia e viver a vida real.
Para o garoto foi como morrer. Deixar o seu mundo fantástico para viver nisso? Nesse mundo onde ninguém ama, onde as pessoas tem um olho só e esse olho é virado para elas mesmas, onde as pessoas são surdas e adoram por palavras nas bocas dos outros? Onde é mais fácil guerrear e odiar do que se entregar ao amor e pedir desculpas? Onde a pessoas que ele tanto idealizou nunca existiria, pois a perfeição não é permitida nesse mudo.
O garoto indignou-se, falou palavras serenas, mas carregadas de desprezo. Ele cortou para sempre a língua venenosa que tentou mata-lo. Ainda assim, aquele veneno fez algo no pobre garoto.
Ele viu seu castelinho de sonhos desmoronando às margens do penhasco que dava vista para o mar e viu o amor dos seus sonhos se transformar em apenas um homem comum. O sonho se desfez e a distância cresceu entre eles tão rápido que antes que o garoto pudesse imaginar uma maneira de salvar o seu mundo encantado, tudo estava perdido.
A esperança foi a única coisa que restou no coração do pobre e envenenado garoto. A esperança de que uma sombra do que foi um dia o seu mundo mágico possa se refletir no frio mundo real. Por isso ele vai lutar e por isso ele não vai deixar que tudo o que ele sonhou e planejou se desfaça como o seu sonho se desfez em neblina.
Chega de falar coisas tristes, chega de chorar as lágrimas que alguém implantou em seus olhos. O garoto vê apenas uma coisa a sua frente. O horizonte, e neste está pintado o amor da sua vida e a realização dos seus sonhos.
Seja como for, o horizonte é o destino e é para lá que ele vai caminhar. Mesmo que seja necessário sonhar e imaginar saídas para os problemas que virão, mas nada, nada no universo, nada real ou imaginário irá impedir que o garoto chegue ao seu destino.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Memórias póstumas de um escritor vivo.

Memórias póstumas de um escritor vivo.
Por t.H.R.Oliveira


Estar parado aqui é aprova do que o que eu mais temia aconteceu
Lá (aponta para um corpo velho e morto) está o fato que sempre me recusei em aceitar
Nunca acreditei que isso fosse acontecer comigo
E agora é difícil olhar pra trás
Reconhecer os erros que cometi
É difícil ver que mesmo para mim o tempo passou.
Quando se é jovem, parece que você indestrutível
E que não há nada no mundo que você não possa fazer
Que não há nada que você não possa ter
Eu era belo, jovem, inteligente
Eu achava que todo o que eu fazia era certo
E que era necessário, por isso nunca senti culpa
Deixei de lado tudo o que eu acreditava não ser importante
Me acorrentei no meu mundo de fantasia
Mundo esse que agora está aos pedaços
Malditas palavras, malditas correntes
Malditos momentos de solidão
Que eu tanto saboreei no auge da minha criatividade
E assim eu deixei passar todo o resto
A vida que eu perdi
Os amigos
Os amores...
Digo, O AMOR que eu perdi
A única pessoa em toda a minha vida que realmente teve o meu amor
A pessoa que povoou minhas estórias
Que era meu protagonista no mundo em que criei
A pessoa perfeita
Tanto tempo eu sonhei em adormecer naqueles braços
Mas foram só sonhos
E depois, tinta e papel
A minha vida não passou de palavras e ilusões
Um grande sonho no qual o tempo não existia
Mas os passos do tempo foram lentos, assim eu pensei
Quando dei por mim eu estava lá (aponta novamente para o corpo)
Velho, feio, sozinho, morto.
Não vai demorar muito e eu serei apenas uma lembrança
E sem muito esforço essa lembrança vai desaparecer
O que eu fiz?
As minhas palavras já se perderam com o vento
Ninguém as lê
Quem eu fui?
Quem eu fui?
Mesmo agora a dor é algo que permanece
E por incrível que pareça, dói ainda mais
Eu desejei desaparecer
Por um tempo, o mundo real simplesmente não parecia o meu lugar
Por isso eu fiz o meu mundo
Por isso eu deixei tudo para trás
Não aguentava mais sofrer
Mas o mesmo sofrimento do qual eu tentei fugir me acompanhou
E agora, ao meu lado, ele é o demônio que não me deixa esquecer
Que a minha vida não passou de um vazio
Talvez eu mereça o que me aconteceu
Morrer sem que ninguém notasse a minha ausência
Eu sempre fui ausente
E isso sempre foi conveniente
Mas não há mais espaço em mim para suportar a agonia
Eu simplesmente não consigo olhar o passado
E me dar conta que mesmo agora
Como o meu corpo morto atrás de mim
Eu ainda sou obrigado a andar pra frente
O tempo me diz, ele não para
E com os seus passos lentos e cruéis eu tenho que ir
O que está além, eu não sei. Não me pergunte
Eu nem ao menos queria saber
Eu só queria voltar
Reviver os meus tempo de juventude
Rever os meus amigos
Ter a chance de amar a pessoa que ainda possui o meu coração
Ficar com ela e nunca deixá-la
Queimar tudo o que escrevi
Destruir o meu castelo de sonhos
E viver
Pelo menos uma vez, viver e não me arrepender
Mas o tempo e a dor não me deixam
Me prendem aqui, com as mesmas correntes que eu me acorrentei na fantasia
E me obrigam a andar
Me fazendo ver o que passou ficando para trás
Fazendo-me perceber que eu não existo
Que não sou importante
E que meu tempo passou
O que me resta perguntar no final de tudo
E o que mais dói só de pensar é:
Quem me amou afinal de contas?

domingo, 15 de maio de 2011

Fantasma Perfumado

Este conto é fictício, mas com personagens reais. Este é o meu presente de aniversário para mim mesmo. Eu me dei o que ninguém poderia me dar. O amor de quem eu desejo. Mesmo que só em uma estória, talvez assim em algum plano de existência isso seja real. Enfim, a vida não é tão ruim assim quando se pode imaginar coisas. Feliz aniversário pra mim 16/05/2011. Que eu seja feliz algum dia, com a pessoa certa, com a pessoa amada e que me ama também.
Fantasma perfumado
Por T.H.R. Oliveira

Eu acabara de sair do carro. Eu estava atrasado para o trabalho. Como sempre, vestido em um terno escuro, com uma gravata não chamativa em volta do pescoço. Estava com minha pasta e os meus papeis nas mãos, quando uma brisa levada soprou umas duas ou três folhas para o lado.
Ao me virar para apanhar os papeis, notei em um breve vislumbre uma pessoa. Ele estava sentado dentro de um ônibus, com a cabeça levemente abaixada e encostada no vidro da janela, seu rosto numa expressão leve carregada de um pesar e dor, que eu não conseguia decifrar.
Eu já vira aquele rosto antes. Vira algumas vezes, belo e inexpressivo, outras vezes com um sorriso leve e sereno, vi aquele rosto me observar com admiração, como se eu fosse algum tipo de deus que caminhasse sobre a terra.
Sim, eu vira aquele rapaz antes. Ele me escrevia coisas lindas. Suas palavras alegravam o meu dia. Ele era tão sincero no que dizia e conseguia me conhecer tão bem que chegava a ser assustador.
Ele chegou a me desenhar em um quadro, o qual eu amei e ainda o tenho pendurado em minha parede. Veio com uma carta aromatizada com o seu perfume, e quando li suas palavras foi como se ele as estivesse falando em sussurros ao meu ouvido.

“Eu tentei fazer você se ver como eu o vejo, lindo, indestrutível, atemporal, eterno e perfeito. Desculpe-me se exagerei, mas esse aroma que você sente é o meu perfume. Achei que assim me faria mais presente quando você recebesse o quadro. Eu só queria poder fazer parte de momentos assim na sua vida. Eu só gostaria de ser mais do que palavras bonitas e esforços para que você se lembre de mim todos os dias.

Com carinho, T.H.R. Oliveira”

Ele nunca soube, mas aquele fora o melhor presente da minha vida. Nunca ninguém demonstrou tanto carinho e dedicação por mim, menos ainda sem me conhecer. Tudo o que as pessoas sempre viram foi um corpo bonito e a possibilidade de sexo.
Ele foi diferente. Ele me viu como eu sou e me amou do jeito que eu sou. Eu nunca soube retribuir.
Com o tempo ele parou com as mensagens bonitas, que faziam o meu dia melhorar e eu fiquei sozinho novamente, com o que me restou daquele doce garoto. Um fantasma perfumado, um quadro no qual eu não me vejo, mas sim quem o pintou e a lembrança de que eu poderia ter feito mais para tê-lo comigo todos os dias da minha vida.
Não sei o que fazer, nem o que pensar agora. Eu o vi. Ele está aqui, em São Paulo. Está tão perto de mim, mas nem sei por onde começar a procurar.
O ônibus há muito se fora. Eu não o alcançaria nem se eu tentasse.
Talvez tenha sido melhor assim. Ele vive a vida dele agora e eu continuo com a minha. Solteiro aos 27 anos, por opção, é claro. Mas ainda procurando nos outros por um traço que me faça lembrar aquele garoto de Brasília que com carinho e muito jeito conquistou meu coração, mas que agora eu perdi.

O amor da Escuridão pela Luz

Eu tentei enviar esse poema de todas as formas à pessoa a quem ela é destinada, porém a porcaria do facebook  estava de rosca comigo. Então vou postar só aqui mesmo, onde ninguém lê... Fiz este poema inspirado no meo mais novo Muso/Divo, amigo queridíssimo e nem sei mais quanto adjetivos bons posso qualificar a este homem, Luciano Alvesch. Se acaso vc chegar a ler isto, espero profundamente que vc goste, pois este poema é seu, e só vc tem direitos sobre ele - além de mim, é claro, que sou o autor... XD
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O amor da escuridão pela luz
Por T.H.R.Oliveira

Como o raiar de um novo dia
Deve ser para aqueles que o encontram todas as manhãs
Como o pesar que alivia
Deve ser para quem se maravilha com o teu sorriso

Olhar nos teus olhos é como ver o colapso entre duas galáxias
É admirar o nascimento de um novo oceano
É se entregar ao delírio selvagem das fantasias
É assistir a fúria perfeita da natureza, no sagrado e do profano

Encontrar-se em teus braços é perder-se no infinito do paraíso
No conforto das asas de um anjo poderoso
Que com o dom do seu toque aclama e doma as feras
Que estás nas alturas, mas é um ser carinhoso

A brisa regozija à tua face acariciar
Pois esta para sempre feliz estará
Por um dia ter tido a chance de por ti passar
E em tua pele angelical tocar

Por não aquecer mais que tua presença, o fogo se envergonha
Para que teu brilho reinasse, o sol escureceria
Por não ter o teu amor a lua despencaria
E até a vida sem a tua existência, morreria

Tu és a força que acorda com o mundo
E a calma que dorme ao anoitecer
Tu és o amor que faz girar o planeta
És o que faz valer a pena viver

Um anjo entre os mortais
Eles não sabem porque é tão fácil amá-lo
Mas eu vejo suas asas, elas são reais
E é tão mais difícil tocá-lo

O teu olhar tem uma chama incandescente
As tuas palavras tem um poder entorpecente
A tua aparência tem um poder sobressalente
Mas tu tens na boca, da vida uma nascente

Diz-me anjo, como não amar-te?
Quando em todas as pessoas do mundo eu procurei
Foi em ti que eu vi o brilho misterioso
Quando em todas as pessoas nada além de vaidade, eu encontrei

Quando tudo o que tive foi luxúria
E o prazer da carne nas minhas negras asas
O sabor da ensandecida fúria
A da vingança não perdoada

Tua luz me seduziu e me cegou
Mais uma vez um caminho surge no escuro do universo
E o devasso cai aos pés do sagrado
Deixando para trás o passado perverso

Implorando pela sua salvação
Olha para o abismo anjo de luz
Tira-me da inconsolável solidão
E com o teu amor me conduz.