Este conto é fictício, mas com personagens reais. Este é o meu presente de aniversário para mim mesmo. Eu me dei o que ninguém poderia me dar. O amor de quem eu desejo. Mesmo que só em uma estória, talvez assim em algum plano de existência isso seja real. Enfim, a vida não é tão ruim assim quando se pode imaginar coisas. Feliz aniversário pra mim 16/05/2011. Que eu seja feliz algum dia, com a pessoa certa, com a pessoa amada e que me ama também.
Fantasma perfumado
Por T.H.R. Oliveira
Eu acabara de sair do carro. Eu estava atrasado para o trabalho. Como sempre, vestido em um terno escuro, com uma gravata não chamativa em volta do pescoço. Estava com minha pasta e os meus papeis nas mãos, quando uma brisa levada soprou umas duas ou três folhas para o lado.
Ao me virar para apanhar os papeis, notei em um breve vislumbre uma pessoa. Ele estava sentado dentro de um ônibus, com a cabeça levemente abaixada e encostada no vidro da janela, seu rosto numa expressão leve carregada de um pesar e dor, que eu não conseguia decifrar.
Eu já vira aquele rosto antes. Vira algumas vezes, belo e inexpressivo, outras vezes com um sorriso leve e sereno, vi aquele rosto me observar com admiração, como se eu fosse algum tipo de deus que caminhasse sobre a terra.
Sim, eu vira aquele rapaz antes. Ele me escrevia coisas lindas. Suas palavras alegravam o meu dia. Ele era tão sincero no que dizia e conseguia me conhecer tão bem que chegava a ser assustador.
Ele chegou a me desenhar em um quadro, o qual eu amei e ainda o tenho pendurado em minha parede. Veio com uma carta aromatizada com o seu perfume, e quando li suas palavras foi como se ele as estivesse falando em sussurros ao meu ouvido.
“Eu tentei fazer você se ver como eu o vejo, lindo, indestrutível, atemporal, eterno e perfeito. Desculpe-me se exagerei, mas esse aroma que você sente é o meu perfume. Achei que assim me faria mais presente quando você recebesse o quadro. Eu só queria poder fazer parte de momentos assim na sua vida. Eu só gostaria de ser mais do que palavras bonitas e esforços para que você se lembre de mim todos os dias.
Com carinho, T.H.R. Oliveira”
Ele nunca soube, mas aquele fora o melhor presente da minha vida. Nunca ninguém demonstrou tanto carinho e dedicação por mim, menos ainda sem me conhecer. Tudo o que as pessoas sempre viram foi um corpo bonito e a possibilidade de sexo.
Ele foi diferente. Ele me viu como eu sou e me amou do jeito que eu sou. Eu nunca soube retribuir.
Com o tempo ele parou com as mensagens bonitas, que faziam o meu dia melhorar e eu fiquei sozinho novamente, com o que me restou daquele doce garoto. Um fantasma perfumado, um quadro no qual eu não me vejo, mas sim quem o pintou e a lembrança de que eu poderia ter feito mais para tê-lo comigo todos os dias da minha vida.
Não sei o que fazer, nem o que pensar agora. Eu o vi. Ele está aqui, em São Paulo. Está tão perto de mim, mas nem sei por onde começar a procurar.
O ônibus há muito se fora. Eu não o alcançaria nem se eu tentasse.
Talvez tenha sido melhor assim. Ele vive a vida dele agora e eu continuo com a minha. Solteiro aos 27 anos, por opção, é claro. Mas ainda procurando nos outros por um traço que me faça lembrar aquele garoto de Brasília que com carinho e muito jeito conquistou meu coração, mas que agora eu perdi.

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