Olhos na escuridão
Por T. H. R. Oliveira
No vazio do meu universo
Eu não me encontro
Eu não me sinto
Eu estou só
O sol se pôs e minhas asas me levam pra longe da luz
Tudo o que me resta é a lembrança
Do doce calor daquela luz
Dançando sozinho
Na sinfonia melódica das estrelas
Uma melodia triste
Algo se partiu
E os cacos não podem se juntar
Eu me pus novamente nas mãos negras do oblívio
Quisera eu poder apagar as marcas que estão em mim
Quisera eu poder esquecer tão rápido quanto serei esquecido
Quisera eu poder sentir que nunca mais sentirei novamente
Sussurrando a minha dor para o nada
Guiado pelas velas da noite
A lua me aguarda
E em seu lado escuro eu descansarei
Até que meus cacos estejam remendados
E minhas asas estejam boas para voar
Espero eu poder ficar cego na escuridão
Pois assim jamais voltarei a me apaixonar pela luz
Já é hora de saber
Um ser da escuridão jamais poderá ser amado
Jamais poderá viver longe das sombras
É verdade que dói
Mas vai passar
E quando passar
Serão os meus olhos na escuridão
A vigiar
E será a minha voz em seus sonhos
A sussurrar
Pois eu sou o anjo que espera no fracasso
E quando a sua luz falhar
Serão os meus braços na escuridão
Que você irá encontrar.

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