Ventos da Mudança (Parte 2)
Por T.H.R. Oliveira
Doce mudança,
Lenta,
Precisa,
Infalível.
Vem soturna
E transforma;
Troca as coisas de lugar,
Põe coisas onde não deviam estar.
Mudança repentina,
Criativa,
Destruidora de possibilidades,
Serva cruel do destino,
Geradora do caos e também da ordem.
Ela veio a mim,
Entrou na minha vida
E em um instante
Me abandonou na desordem.
Porque teve que acontecer?
Os deuses são cruéis
E me odeiam por alguma razão.
Não sou filho digno de amor,
Não sou pecador digno de perdão.
Algo naquele olhar mudou tudo.
Como a luz do sol em uma manhã de primavera,
A luz daqueles olhos entrou pela minha janela.
Não havia mais escuridão.
E naqueles braços encontrei conforto,
Naquele abraço encontrei desejo,
E naquele beijo eu me perdi.
Sem controle, apenas me entreguei ao vento da mudança.
Vento que soprou forte
E entrelaçou a minha vida nos fios densos do passado,
Nos problemas que não me são necessários.
Vento que soprou em mim algo morto e enterrado.
Algo que agora vive, pulsa e machuca.
Esse meu mal ressuscitado.
Ela manipula e joga com as vidas que encontra,
Agora em meus olhos o que há é lástima.
O lamento do meu arrependimento não pode ser entendido,
Nem por ouvido humano será escutado,
Nem por palavras será expressado,
Ou por alguém, compreendido.
Mudança...
Dor,
Terror,
Apenas uma leve mudança
E essa doce e sutil dama
Cavalga sobre os meus ossos
E me fere com sua lança.
Eu nada digo
Nada vejo
Nada faço.
Fazer o que quando não se sabe o que a mudança vai lhe trazer?
Fazer o que quando o seu coração só sabe sofrer?
Eu podia ter deixado passar,
Fechar os olhos,
Apenas ignorar,
Mas algo naquele rosto chamou pelo meu nome.
Aquela luz misteriosa me atraiu para a perdição
Como o calor de uma chama atrai a mariposa.
Eu me entreguei.
A mudança me apanhou em seu véu emaranhado.
Me sufocou.
Me mostrou como é sentir dor.
Fez-me ter em solo infértil,
O broto de uma flor roxa,
Espinhosa,
Venenosa.
Agora suas raízes estão se aprofundando
Enquanto se alimenta da minha vida
E me tortura com a sua dor.
Vítima da mudança,
Posto no meio do fulgor
Com a maldita flor sangrenta no peito
A flor roxa do amor.
Eu queria poder esquecer
E agora peço pelos ventos da mudança outra vez;
Pra me tirar deste lamaçal
Pra me fazer duro e frio
Pra me tornar eu, talvez.
Vem mudança,
Violenta e mortal
Arranca-me deste mundo ruim,
Desta vida real
Leva-me com os teus ventos
E põe-me novamente em meu pedestal.

Nenhum comentário:
Postar um comentário