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segunda-feira, 7 de março de 2011

Ventos da Mudança (parte 2)

Ventos da Mudança (Parte 2)
Por T.H.R. Oliveira

Doce mudança,
Lenta,
Precisa,
Infalível.
Vem soturna
E transforma;
Troca as coisas de lugar,
Põe coisas onde não deviam estar.
Mudança repentina,
Criativa,
Destruidora de possibilidades,
Serva cruel do destino,
Geradora do caos e também da ordem.
Ela veio a mim,
Entrou na minha vida
E em um instante
Me abandonou na desordem.
Porque teve que acontecer?
Os deuses são cruéis
E me odeiam por alguma razão.
Não sou filho digno de amor,
Não sou pecador digno de perdão.
Algo naquele olhar mudou tudo.
Como a luz do sol em uma manhã de primavera,
A luz daqueles olhos entrou pela minha janela.
Não havia mais escuridão.
E naqueles braços encontrei conforto,
Naquele abraço encontrei desejo,
E naquele beijo eu me perdi.
Sem controle, apenas me entreguei ao vento da mudança.
Vento que soprou forte
E entrelaçou a minha vida nos fios densos do passado,
Nos problemas que não me são necessários.
Vento que soprou em mim algo morto e enterrado.
Algo que agora vive, pulsa e machuca.
Esse meu mal ressuscitado.
Ela manipula e joga com as vidas que encontra,
Agora em meus olhos o que há é lástima.
O lamento do meu arrependimento não pode ser entendido,
Nem por ouvido humano será escutado,
Nem por palavras será expressado,
Ou por alguém, compreendido.
Mudança...
Dor,
Terror,
Apenas uma leve mudança
E essa doce e sutil dama
Cavalga sobre os meus ossos
E me fere com sua lança.
Eu nada digo
Nada vejo
Nada faço.
Fazer o que quando não se sabe o que a mudança vai lhe trazer?
Fazer o que quando o seu coração só sabe sofrer?
Eu podia ter deixado passar,
Fechar os olhos,
Apenas ignorar,
Mas algo naquele rosto chamou pelo meu nome.
Aquela luz misteriosa me atraiu para a perdição
Como o calor de uma chama atrai a mariposa.
Eu me entreguei.
A mudança me apanhou em seu véu emaranhado.
Me sufocou.
Me mostrou como é sentir dor.
Fez-me ter em solo infértil,
O broto de uma flor roxa,
Espinhosa,
Venenosa.
Agora suas raízes estão se aprofundando
Enquanto se alimenta da minha vida
E me tortura com a sua dor.
Vítima da mudança,
Posto no meio do fulgor
Com a maldita flor sangrenta no peito
A flor roxa do amor.
Eu queria poder esquecer
E agora peço pelos ventos da mudança outra vez;
Pra me tirar deste lamaçal
Pra me fazer duro e frio
Pra me tornar eu, talvez.
Vem mudança,
Violenta e mortal
Arranca-me deste mundo ruim,
Desta vida real
Leva-me com os teus ventos
E põe-me novamente em meu pedestal.

O Mistério

O Mistério
Por T.H.R. Oliveira

Você ousa olhar nos meus olhos
E provar dos meus lábios
Você quer sentir o meu amor
E ver a minha alma exposta
Você acha que o mundo é real
Mas você prova que o conhece mal
Tal como acha que poderia me conhecer
Sem ao menos merecer

Eu sou a eternidade por trás do disfarce
Dá pra ver o universo nos meus olhos
Mas você nunca conhecerá os meus segredos
Pois eu me vou como uma tempestade de verão

Você quer ser tudo para mim
Quando eu já sou o tudo e o nada
Você quer saber o que eu sinto
Mas sentir não significa nada
Você me vê quando o vento sopra?
Você me reconhece no brilho da lua?

Eu sou o negro do céu ao anoitecer
Sou o som do mar ao arrebentar nas rochas
Mas você não pode descer ao fundo para descobrir o que há
Pois no escuro eu sou tudo o que há

Sou o céu
Sou o mar
A terra, o fogo e o ar.

Como o frescor da primavera, eu sou...
Irrepreensível,
Você não pode me ter.
Mas você ainda pode me admirar
Então desapareço como a brisa do verão a soprar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A Guerra do caos

A guerra do caos
Por T.H.R. Oliveira

Ordem, desordem
Certo, errado
Limitações do ser provido de consciência
limitações.
Pudor,
Deixar o natural seguir seu rumo
Deixar tudo no devido lugar
Não reestruturar
Não criar
Não ser
Apenas imitar.
No fim do túnel não há luz
Só mais escuridão
Mas seus olhos não se acostumaram à verdadeira natureza do ser
Então estás perdido
Tentando achar o caminho da ordem
Mas no caos da existência
Tudo se pode criar
Tudo se pode ser
Em tudo se pode acreditar
Tudo se pode mudar.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Violino

Este é um conto inspirado pelas músicas da banda Diablo Swing Orchestra e pelo livro "Perfume, a história de um assassino".
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Contos – por T.H.R. Oliveira

O violino.

Sabe-se que há muito, muito tempo viveu na França um músico, que longe de ser famoso e aclamado desesperou-se ao ver o seu sonho se despedaçando, escapando de suas mãos como se fosse areia.
Acreditando ser a sua falta de talento, o homem pesquisou, estudou, mas nada adiantou. As pessoas não gostavam da sua musica. Ela era vazia e totalmente sem sentido. Literalmente perturbadora.
Resolveu então, o homem, fazer um pacto com o diabo. Ele se prostrou em uma encruzilhada a meia-noite e o invocou.
- vem ó diabo, filho de deus, agora renegado, chifrudo, rabudo, vem com o fogo e o enxofre, vem com tua pele vermelha e teu bafo de dragão, vem porque eu te chamo e contigo quero ter. Vem nesta encruzilhada com teus pés de bode. Vem! – O homem andava de costas enquanto recitava a oração macabra.
Apareceu então na sua frente uma figura engraçada, a quem não se poderia chamar nem de louco quanto mais de diabo. O pobre coitado parecia mais um mendigo que há muito fugiu de um manicômio, agora com suas vestes circenses rasgadas e sujas, com pés descalços e um olhar injetado perdido no horizonte, ele se aproximava do musico na encruzilhada.
- Foste tu que me chamastes até aqui? – perguntou a figura estranha se aproximando de lado, como se seu corpo estivesse torto. – Foste tu que me tentou com a promessa uma saborosa.
- Sim. – respondeu o músico. – Fui eu mesmo quem te chamou diabo.
- O que é isso? – disse o homenzinho miúdo com roupas velhas e olhos perdidos, se contorcendo ainda mais em sua estranha posição. – Pra que tanta formalidade. Aqui, hoje, eu sou apenas seu amigo. Diz-me qual é o teu pedido.
- Eu sou músico, mas ninguém gosta da minha música. Sou simpático e bem afeiçoado, conheço todas as técnicas musicais, mas ainda assim ninguém consegue me ouvir. O que eu quero é ter toda a França aos meus pés, deleitando-se com a minha música em orgasmos de prazer.
- Então músico, essa é tua vontade. E o que eu ganharei com isso? – disse o homem se aproximando mais ainda, foi então que o músico notou que as suas pegadas eram marcadas a fogo no chão de terra batida, deixando para traz pequenos pedaços e vidro e areia e o cheiro que exalava do homem corcunda e contorcido era o puro enxofre.
- Diz-me o que preciso fazer para ter o que eu quero. – pediu o músico.
- ora! Mas com quem achas que estás a falar, músico? – perguntou o diabo com um ar de ultraje encarando o homem com seus olhos injetados e vermelhos como sangue. – é claro que não precisas fazer nada, pois eu farei por ti. Mas o que eu quero para fazer o trabalho é algo que tu sequer percebe que existe e não fará a menor falta.
- O que? – quis saber o músico.
- A tua alma. – disse o homenzinho rindo como uma criança, tremendo todo o corpo de tanta excitação.
- A minha alma? – titubeou o musico, se perguntando se o que pedira valia mesmo o preço que o diabo lhe fazia.
- O que? Achas que é fácil fazer todo um país rastejar aos teus pés? Eu sou o diabo, mas não faço milagres. Tudo custa muito caro hoje me dia, então nada mais justo, eu também cobrar caro.
- Então está feito. Que seja toda a França. – disse o músico convencido estendendo sua mão direita ao diabo.
- Feito. Tua alma pela adoração e delírio de muitas outras almas. – disse o diabo apertando a mão do músico e virando-se de costas em seguida. Quando voltou-se para frente tinha em suas mãos um violino vermelho como a cor de seus olhos. – darei a ti o que falta em tua música. Sentido, profundidade e força para alcançar as almas e evocar do fundo da consciência o mais cruel e insano delírio e adoração.
O músico pegou, então o violino e quando olhou para frente, o homenzinho se afastava devagar e com passos arrastados.
- Como é teu nome, diabo?
- Meu nome é Amigo. Você só precisa se lembrar disso. Eu sou seu amigo. – O músico abaixou os olhos mais uma vez para o violino e quando tornou a olhar para frente o diabo já desaparecera, tão rápido quanto aparecera.
A partir do dia seguinte a música do homem que recebera o violino jamais fora a mesma. Até ele mesmo caía em êxtase ao se ou vir tocar.
Quando ele fazia vibrar as cordas daquele violino não havia uma pessoa que conseguisse ficar de pé. Logo elas entravam em um transe absurdo, tiravam suas roupas e faziam sexo com as pessoas mais próximas sem se importar com quem fosse. Elas urravam e tinham orgasmos apenas com o som produzido pelo violino.
O músico ficou satisfeito com o efeito da sua música nas pessoas e sua fama se espalhou. Diziam por aí que ele era um anjo e que sua música era voz de Deus, falando através de seu violino. Todos queriam ouvi-lo tocar. Todos queriam sentir a felicidade extasiante que somente a sua música era capaz de provocar.
Foi então planejado um grande concerto em Paris, para que todos os parisienses pudessem assistir. Ele já era famoso por toda a França, mas jamais tocara para os parisienses, nem para o rei e sua família. Este seria seu grande dia.
O dia do conserto chegara e ele seria acompanhado por uma orquestra gigantesca. Quando começou a tocar todos ficaram assustados. Jamais ouviram música como aquela. Seriam aquelas notas naturais criadas por Deus para que os homens conhecessem? Aquele homem com o violino vermelho não podia ser humano. Apenas um anjo na terra seria capaz de tamanha grandiosidade.
O prazer e a alegria explodiram nas pessoas como vulcões poderosos e arrasadores fazendo-as perecer nas chamas da luxúria e do prazer. As pessoas se esqueciam de quem eram e se entregavam ao êxtase, à sodomia mais absurda em plena luz do dia, em público, na rua, com pais, filhos, animais e estranhos. Buscando o prazer nas mais diversas formas, através de mutilações, voyeurismo, incesto, zoofilia, sadomasoquismo e o que mais lhe passassem pelas cabeças.
Aquele foi o dia em que o músico, antes renegado, via seu desejo se concretizando. Faltava apenas Paris para que toda a França estivesse aos seus pés.
O vento parecia colaborar para que o som de seu violino viajasse para o mais longe possível, misteriosamente o som trafegou pelos ares até cobrir literalmente toda a França. E este foi o dia em que todos os franceses foram acometidos pela loucura. Uma loucura sem gênero e grau, apenas uma força incontrolável e incompreensível. Toda a França mergulhou na escuridão do desejo de um homem, e quando alvoreceu a vergonha estava plantada no rosto de cada cidadão.
Foi um dia que todos decidiram esquecer, pois se lembrar de tamanho absurdo era simplesmente vergonhoso demais.
Por fim, quando a ultima nota fora produzida pelo violino vermelho, uma rizada medonha e mais envolvente do que a própria música se ouviu. Os cidadãos jaziam ao chão. Uma multidão de corpos nus amontoados, dando e recebendo prazer.
- Eu voltei músico. – disse uma voz conhecida sem que se conseguisse distinguir a sua origem. – Eu vim buscar o que me pertence.
- Amigo! – disse o músico. – Não pode esperar só mais um pouco, alguns anos quem sabe?
- NÃO! – a voz soou feroz e animalesca, titubeando pelas nuvens como um trovão. – O tempo acabou, o seu desejo foi realizado, mas como eu realmente gostei de ti, o teu sangue permanecerá na terra e este instrumento fará com que a sua música seja tocada outra vez em outro tempo, para outras pessoas.
- Então que assim seja meu amigo. Contigo estarei para sempre, para ver mais uma vez a insanidade nos olhos de quem ouvir a minha música.
Uma sombra muito escura cobriu os céus de Paris, mas alguns dizem que foi em toda a França. O homem sentiu o toque de seu amigo em sua pele. A morte o acompanhava. Ela era linda, uma donzela de magnífica beleza, mas com um golpe frio e cruel. O seu beijo foi a ultima coisa que o músico sentiu, antes de perceber que estava morto e que ardia em alguma chama no inferno.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Feliz 2011

                Feliz 2011
                Por T.H.R. Oliveira

Desde que o ano começou, eu venho me prometendo um texto de ano novo. Enfim, como eu esperava muita coisa mudou em muito pouco tempo.  Eu não estou mais trabalhando e comecei minhas aulas de teatro. Enfim tudo parece estar dando certo.
                Agora o que eu mais quero – e preciso – é de força para não me desviar do meu caminho, empolgação para dar sempre o melhor de mim e me fazer notar não apenas como mais um, e sim como alguém excepcional.
                Segundo o meu horóscopo este ano é o ano para que eu realize os planos que fiz em 2010. De fato eu acredito plenamente nisso. Vou me entregar ao que quero fazer da minha vida e vou mover montanhas e mares se for preciso.
                É engraçado me sentir assim. Parece realmente que sou invencível, pois acredito em mim. Mas há sempre aquele medinho nojento de que se estou com tantas expectativas tudo pode dar errado num piscar de olhos.
                Mas eu vou ser forte. Eu sei que não estou sozinho nessa e vou lutar por mim e por meus amigos que queiram realizar seus sonhos.
                Finalmente chegou a hora de por as garras para fora e segurar com unhas e dentes o que eu almejo.
                Enfim, acreditar faz mesmo a diferença. Quando decidi que este ano seria diferente e tomei as primeiras providências para que tudo ocorresse como o planejado, o destino simplesmente parece ter deslizado e se encaixado da maneira correta para que tudo se tornasse propício aos meus desejos.
                Definir um objetivo nos dá segurança para seguirmos em frente e superar os desafios. Quando se está olhando no horizonte, para o seu prêmio final, os problemas se tornam pequenos e facilmente superáveis.
                Não é errado pensar que você é invencível, nem é crime você fazer de tudo para conseguir realizar seus sonhos. Apenas temos que tomar cuidado para não esbarrar nos sonhos de outra pessoa. No fim das contas o que temos que ter em mente é que  o que é nosso ninguém pode roubar, e se formos persistentes e pensarmos com força e positivamente sempre tomando as atitudes corretas para que tudo ocorra como planejamos, não tem como dar errado.
                Esqueça o “não” e pense apenas no ”eu posso”, no “sim” e no “Eu sou vitorioso”. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Palavras

Palavras
Por T.H.R. Oliveira

Palavras...
Palavras vazias
Perdidas no vento
Sofridas,
Sozinhas,
Desoladas no esquecimento.
Palavras que encontrei
No brilho dos olhos de quem amei.
Palavras que emiti,
Falei.
Palavras que não esqueci.
Palavras que desperdicei.
Palavras que escrevi
E não apaguei.
Antes a folha em branco
Agora preenchida com amor
Escritas com dor
Sangue, temor
Palavras que são lidas
E depois ignoradas
Apenas palavras
Quando não observadas
Não compreendidas
Pelos olhos de quem deveria
Palavras que anseiam ser ouvidas
Amadas
Palavras que querem ser desejadas
Pela pessoa de quem elas falam
Palavras profundas
De significado inigualável
Tudo o que eu te dei foram palavras
E de palavras não passam
Palavras bonitas
Palavras feias
Quisera eu poder ouvir as tuas palavras
E um dia eu sonhei
Sonhei que elas me diziam
Que o amor que eu te dei é recompensado
Que o tempo que eu perdi não faz parte do passado
Que as palavras que eu escrevi
Não é um punhado de dor e rejeição compensado
Que tudo isso não é apenas um legado
Que lhe foi dado
E agora, as palavras se voltam contra mim
Dizendo-me que o que eu pedi
Que o desejo pelo qual tanto implorei
Me foi negado.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Feliz Condenado

Feliz Condenado
Por T.H.R. Oliveira

Sopra o vento do leste
Vai um velho pela beira da estrada
Despejados do inferno
Vão o homem e banda
Tocando a viola
Tratantes de encruzilhadas
Rejeitado pelo diabo,
Pobre coitado
O homem com seu ardor
E sua orquestra infernal
Dança, canta, diverte
Um aperto de mão
E tudo se foi
Como fora um dia, e será amanhã
Pacto feito, malfeito desfeito
O destino traçou sua ultima linha
E você vendeu o resto
Veja o homem
Agora o acompanhe
Toque na sua banda
Aposte com vidas
Brinque com fogo
Cora sem roupa
Deixe a insanidade livre
O vermelho não é só belo por que é vermelho
Mas na escuridão até a feiúra tem sua beleza
E o sangue brilha mais intensamente à luz das chamas
Caminha pobre diabo
Entrega-te na casa do teu no pai
Dança ao som da balada mortal
Dança com o fogo infernal
Um gole de vodka
Um trago de mal
Achou o fatídico fim
No teu ultimo dia
Na encruzilhada final.