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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Palavras

Palavras
Por T.H.R. Oliveira

Palavras...
Palavras vazias
Perdidas no vento
Sofridas,
Sozinhas,
Desoladas no esquecimento.
Palavras que encontrei
No brilho dos olhos de quem amei.
Palavras que emiti,
Falei.
Palavras que não esqueci.
Palavras que desperdicei.
Palavras que escrevi
E não apaguei.
Antes a folha em branco
Agora preenchida com amor
Escritas com dor
Sangue, temor
Palavras que são lidas
E depois ignoradas
Apenas palavras
Quando não observadas
Não compreendidas
Pelos olhos de quem deveria
Palavras que anseiam ser ouvidas
Amadas
Palavras que querem ser desejadas
Pela pessoa de quem elas falam
Palavras profundas
De significado inigualável
Tudo o que eu te dei foram palavras
E de palavras não passam
Palavras bonitas
Palavras feias
Quisera eu poder ouvir as tuas palavras
E um dia eu sonhei
Sonhei que elas me diziam
Que o amor que eu te dei é recompensado
Que o tempo que eu perdi não faz parte do passado
Que as palavras que eu escrevi
Não é um punhado de dor e rejeição compensado
Que tudo isso não é apenas um legado
Que lhe foi dado
E agora, as palavras se voltam contra mim
Dizendo-me que o que eu pedi
Que o desejo pelo qual tanto implorei
Me foi negado.

domingo, 14 de novembro de 2010

Rosa Negra (poema)

Bom, este poema eu fiz para uma amiga minha, para que ela a pusesse em seu livro que se chama "Rosa Negra". Irei postá-lo neste blog, pois faz parte das minhas amadas criações.
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Rosa Negra (poema)
Por T.H.R. Oliveira 

Eterno...
Tem sido assim desde que se fora
Tem sido assim viver
Jamais me unir a ti, tormento
Jamais poder morrer.

Eterno...
Estes são teus olhos em minha vívida memória
Agora fechados pela morte,
Encerrados na escuridão suprema, lamento
Deixando-me à própria sorte.

Eterna...
Esta é a agonia que me tortura
Quando o que eu mais quero é partir
A tua lembrança me segura, firme
Me fez cativo do amor sem cura.

Negro...
Este é meu futuro
Como um demônio sobre o meu ombro
Escuro como o teu nome, amada
Cheio de morte e assombro.

Escravo...
Tenho sido eu, do teu amor
Desde que, em meu coração, a rosa negra plantaste
Desde que cavaste em mim o teu espinho, veneno
Desde que raízes em mim, tu fincaste.

Morte...
Receba-me em teus braços
Leva-me em tuas asas à minha amada
Rosa Negra meu amor, imortal
Abate-me e leva esta minha alma condenada.

Anjo

Anjo
Por T.H.R. Oliveira

Lágrimas não dizem nada,
Não falam,
Apenas caem.
Chorar não serve para nada.
A dor não passa,
A ferida não se fecha.
Então que caiam as lágrimas,
Pois de nada servirá,
Nada mudara
E ainda assim, eu sei
Você chorará.
Não me olhe com seus olhos marejados.
A sua dor não me toca,
O seu pesar não me atinge!
É duro, eu sei.
Eu não sou humano,
Não tenho coração.
Dentre vós eu sou um anjo.
Um anjo de dor e amor,
Mas as suas emoções nada significam para mim.
Pois sou assim.
Nasci da escuridão do universo,
Vesti-me com o brilho das estrelas,
Ganhei o vosso afeto
E assistirei você morrer,
Pois no fim
De você, nada restará.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vivendo

Vivendo
Por T. H.R. Oliveira

Eu tenho amor
Eu tenho razões
Minhas palavras vão além do tempo
Meus sussurros voam com o vento


Posso recriar o universo
Se eu assim eu desejar
Posso fazer o tempo correr ao inverso
Sei que até o mar se abrirá se assim eu mandar


"Eu sou o que sou"
Assim fui feito, assim para sempre serei
Eu sou aquele que fará, aquele que ousou
O poder em minha boca, eu sempre terei


Tenho todos os motivos
Eu deveria ser feliz
Tenho a quem amo e estamos vivos
Mas "o tudo se converte em nada", alguém me diz


Apenas vejo os dias passarem
As horas voam sem me notar
Eu tenho o poder, mas não sei usar
Eu tenho um desejo, mas não sei como realizar


Eu tenho vontades
Mas insisto em fazer o que devo, não o que quero
Cego, eu sou, por muitas verdades
Perdido, sozinho ainda espero


Ainda, tendo tudo o que define o caráter do que é bom
Porque algo parece não estar certo em mim?
Porque ser capaz de tantas coisas se tornou uma maldição e não um dom?
Porque simplesmente ser eu se tornou impossível pra mim?

Sinto como se a eternidade toda existisse dentro de mim de uma só vez
Como se nada pudesse me parar,
Mas olha pra mim, mesmo que eu ande, mesmo que eu corra eu não saio do lugar
Capaz de tudo na vida, mas impotente para se realizar

Como se o fim estivesse diante dos meus olhos
Mas meus passos lentos, arrastados levam a eternidade para chegar
Como se eu pudesse me reerguer dos destroços
Mas então eu teria que me olhar no espelho e não teria mais ninguém além de mim, pra culpar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Romântico Incurável

Acho que não preciso dizer nada aqui... o poema fala por si...
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Romântico Incurável
Por T.H.R. Oliveira

Me pego pensando às vezes
Porque é tão difícil amar?
Por que é tão difícil achar alguém
Alguém a quem eu possa me entregar

Pergunto-me se deve ser alguém igual a mim
Ou se seria melhor que fosse diferente?
Mas saberia eu lidar com algo assim,
Ou seria eu tão incompetente?

Meu coração sempre está apaixonado
Iludido, eu diria, pobre coitado
Facilmente se impressiona
Logo está despedaçado

Como poderei eu amar alguém?
Talvez não seja para ser assim
Estou tão cansado de procurar
Anseio chegar logo ao fim

A vida me tortura a cada dia
Quando da tristeza surge novamente
O prazer, aquela euforia
Só pra me convencer que me entreguei cegamente

Talvez eu não saiba amar
Talvez no mundo não haja mais amor
Talvez seja difícil me aturar
Ou amar seja viver em plena dor

Como eu queria poder dizer:
“estou feliz em amar você”
Mas quando não se há alguém para amar
O que eu devo fazer?

Estou eu errado
Por sofrer de um mal irremediável?
Doença de amor infindável
Eu, um romântico incurável

Então sofra pobre coração
Sofra e sangre
Entregue à própria solidão
Sofra e morra de paixão.

No Escuro

 No escuro
Por T.H.R. Oliveira

Fechei os meus olhos e Me deixei levar
Minha boca selada não ousou falar
Uma alma em redenção se perdeu
Vendida por um amor maldito
Minha existência evanesceu

Entregue no escuro
Perdido nas trevas
Na luxúria, na paixão
Corpo profano Eu sou a morada do pecado
Toque em Mim; sinta a pele do diabo

Eu dei o que me foi pedido
Em troca nada recebi
Deixe-me guiá-lo e libertar seus instintos animais
Torne-se meu agora
Pois na escuridão todos somos iguais

Deixe-me alimentar a chama em seu peito
O desejo na sua carne
Deixe-me revelar seus segredos e prazeres
Dê-me sua alma
Pois agora sou o que quiseres

Eu sou aquilo que você se recusou a reconhecer
Sou a sua morte e o seu caminho na decadência
Sou a destruição do seu mundo
Eu sou o grito de desespero na sua mente
Sou o terror que vive em você, lá no fundo.



Venha para o meu lado
Aceite o que Eu sou e me ame
Feche os olhos e mergulhe no Meu mundo desolado
Eu sou o princípio e o fim, sou seu amor, seu ódio, seu anjo, seu soldado.
Eu sou o seu desejo descontrolado.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Amoricídio

Como dizem os budistas "Tudo é sofrimento; nascer é sofrimento, viver é sofrimento, morrer é sofrimento", mas eu digo que nada é mais sofrido do que amar. O amor é como um veneno que infecta cada célula do seu corpo e faz com que você perca sua identidade. Tudo fica lindo por fora, tudo é perfeito quando se está com quem se ama, mas basta o objeto amado sumir e o amor aciona o seu efeito auto-destrutivo e transforma tudo o que era lindo em dor e sofrimento. "O amor verdadeiro é recíproco" alguém me disse uma vez e eu concordo com isso, mas a reciprocidade raramente é verdadeira, pois o que as pessoas amam são de fato reflexos delas mesmas ou de uma projeção da pessoa perfeita que elas veem na tal pessoa amada. Então em homenagem ao amor eu escrevi o Amoricídio (Amor + Suicídio), tirei a idéia do nome do poema de uma música da banda Nightwish "Romanticide - Romanticídio"... já que eu estava sem título para o poema achei que "Amoricídio" seria apropriado. Divirta-se:
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Amoricídio
Por T.H.R. oliveira

Enterrei os meus amores
Pois estes só me traziam dor
Enterrei fundo no passado
Livrei-me da dor do amor

Enterrei também o meu passado
As coisas que não quero me lembrar
Sem o peso do amor e do passado
Posso agora, tentar andar

Livrei-me então das lembranças
Do que tive e conheci
Livre agora das cobranças
Recomeço do lugar de onde parti

Mil vidas não poderiam dizer
Descrever, expressar
O que sinto agora
Quando vejo aquele olhar

É bom poder sentir sem a dor de já ter sentido
Sem o saber que já havia conhecido
Simplesmente sentir como da primeira vez
Emocionando coração, assim o amor o fez

Meu ultimo cigarro, minha última taça de vinho
Entrego-me ao desespero, pois este é novo
Entrego-me as emoções deleitando-se em meu ser
Entrego-me ao amor, para de novo sofrer

Enterrei a mim mesmo no passado
E do passado me livrei
Agora morto e enterrado
A paz eu encontrei.