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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Romântico Incurável

Acho que não preciso dizer nada aqui... o poema fala por si...
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Romântico Incurável
Por T.H.R. Oliveira

Me pego pensando às vezes
Porque é tão difícil amar?
Por que é tão difícil achar alguém
Alguém a quem eu possa me entregar

Pergunto-me se deve ser alguém igual a mim
Ou se seria melhor que fosse diferente?
Mas saberia eu lidar com algo assim,
Ou seria eu tão incompetente?

Meu coração sempre está apaixonado
Iludido, eu diria, pobre coitado
Facilmente se impressiona
Logo está despedaçado

Como poderei eu amar alguém?
Talvez não seja para ser assim
Estou tão cansado de procurar
Anseio chegar logo ao fim

A vida me tortura a cada dia
Quando da tristeza surge novamente
O prazer, aquela euforia
Só pra me convencer que me entreguei cegamente

Talvez eu não saiba amar
Talvez no mundo não haja mais amor
Talvez seja difícil me aturar
Ou amar seja viver em plena dor

Como eu queria poder dizer:
“estou feliz em amar você”
Mas quando não se há alguém para amar
O que eu devo fazer?

Estou eu errado
Por sofrer de um mal irremediável?
Doença de amor infindável
Eu, um romântico incurável

Então sofra pobre coração
Sofra e sangre
Entregue à própria solidão
Sofra e morra de paixão.

No Escuro

 No escuro
Por T.H.R. Oliveira

Fechei os meus olhos e Me deixei levar
Minha boca selada não ousou falar
Uma alma em redenção se perdeu
Vendida por um amor maldito
Minha existência evanesceu

Entregue no escuro
Perdido nas trevas
Na luxúria, na paixão
Corpo profano Eu sou a morada do pecado
Toque em Mim; sinta a pele do diabo

Eu dei o que me foi pedido
Em troca nada recebi
Deixe-me guiá-lo e libertar seus instintos animais
Torne-se meu agora
Pois na escuridão todos somos iguais

Deixe-me alimentar a chama em seu peito
O desejo na sua carne
Deixe-me revelar seus segredos e prazeres
Dê-me sua alma
Pois agora sou o que quiseres

Eu sou aquilo que você se recusou a reconhecer
Sou a sua morte e o seu caminho na decadência
Sou a destruição do seu mundo
Eu sou o grito de desespero na sua mente
Sou o terror que vive em você, lá no fundo.



Venha para o meu lado
Aceite o que Eu sou e me ame
Feche os olhos e mergulhe no Meu mundo desolado
Eu sou o princípio e o fim, sou seu amor, seu ódio, seu anjo, seu soldado.
Eu sou o seu desejo descontrolado.

Nome Negro, Asas de Prata


Nome negro, Asas de Prata
Por T. H. R. Oliveira


Na ausência da razão
Eu me vi à beira do precipício
E o que eu entendi
É a verdade de toda natureza
Desde que no céu foi escrito
O fim para a vida
Negro tem sido meu nome
E nas minhas asas prateadas
Eu levarei toda alma.
Assentei-me sobre a lua
E vigiei
Observei e me aterrorizei
Com o seu terror
Com o seu descaso
Com o seu desleixo
Para mim
Todos da sua raça
São iguais
Animais
Perdidos nas cavernas da mente
Pensando que pensam
Achando que tem razão
Iludindo-se com a auto-compaixão
Convencendo-se de que não merecem morrer
E que todos merecem uma segunda chance.
Patéticos!
Sim, você e toda sua raça
São deprimentes e patéticos
Seres sem respeito
E egoístas até mesmo nos atos de generosidade.
Nada se esconde do meu olho
Que queima através da carne
E vê através da intenção
E a natureza da sua espécie
É a negação.
Cegos pelo orgulho
Não admitem o que não conseguem compreender
E se perdem mais ainda na escuridão
Onde eu vos caço
E me alimento
Pois a sua derrota é a minha elevação.
Não é meu gosto ver a sua destruição
Mas o seu sofrimento
É minha diversão
Por ter violado minha casa
E profanado minha terra
Eu sou a sombra que se levanta do abismo
Para fazer justiça
E todo o universo e suas leis
Sabem que eu sou o justo
E o injustiçado
Pois caminhei no esquecimento
Ao longo de toda a existência
Sempre à margem dos acontecimentos
Sempre nas trevas, escondido
Culpado sem julgamento
Pelo medo e a ignorância,
Largado até o fim dos tempos.
Agora o meu brilho
É a única luz que verão
E com o bater de minhas asas
Suas vidas se abaterão
Pisarei nos ossos dos injustos
E torná-los-ei em pó
Sua carne profana será a minha refeição
E à meia-noite
Beberei seu sangue
E queimarei sua alma
Gaia não mais terá que suportá-lo
Nesta superfície
Ferindo a beleza com a sua negritude de alma
E a feiúra dos teus atos,
Pois na lâmina de minha foice
Encerrar-se-á sua vida
E a de todos que a isto merecerem
Quando olhar nos meus olhos
Veja sua vida
Veja o mundo
Veja o princípio e o fim
Perca-se no escuro do meu interior
E seja meu para sempre
Pois é no fim que tudo há de recomeçar.

Fantasia



 Fantasia
Por T.H.R. Oliveira
(dedicada aos meus amigos RPGistas)

Oh! Eu sei.
Conheço bem as tramas da realidade
Sim, eu sou um conhecedor.
Sou aquele que criou a verdade

Mas dizem;
E eles muito me dizem
Que sonhar é bom
Que reinam nas planícies
De ternura e fantasia
Longe da minha criação

E eles brincam
Criam e destroem reinos
Monstros, amores
E guardam-se da realidade e seus temores

Prazer!
Esta é a fantasia
O desejo se consolida
Em uma verdade alternativa
Fantasia!

Nada



Nada
Por T.H.R. Oliveira

Drama da vida
Ser miserável
Abutre da sociedade
Vem como amigo
E se alimenta da felicidade
Tuas palavras venenosas hão de te matar
E à tua podridão há de voltar
Vampiro soturno
Que invade sem ser convidado
Destruindo a alma
E todo o seu legado
Criatura fétida
Envolta de calamidade e destruição
O teu caos é berço da minha elevação
Hei de pisar tua cabeça
Como uma serpente venenosa
Víbora sombria
Temerosa do inferno
Volta ao teu antro
Paródia de vida
Paródia de ser humano
Volta à tua carne putrefeita
À tua casa de terror e desolação
Retorna, agora, ao teu mundo de tristeza e depressão
Deixa-me aqui
Não descerei contigo
Nem trarei a ti em minhas costas
Não serás convidado a entrar na minha casa
Nem a comer comigo
O que lhe é permitido
É o que sempre lhe foi dado
Desde que nascestes
Não se alimentarás mais de mim
Como um filho que se nutre da mãe
Através do cordão umbilical
Não sou mais teu
Nem me és visto com bons olhos
Repudio a ti
Filho do nada
Retorna à bagunça da qual saiu e deixa-me viver em paz
Cortemos os laços que nos prende
E da minha boca não ouvirás palavra alguma
Nem de bênção
Nem de maldição
Pois nada é o lugar de onde veio
E para onde retornarás
E nada para sempre serás.