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sábado, 11 de setembro de 2010

A carta da Rosa

 A carta da Rosa
Por T.H.R. Oliveira

Flor escarlate, rubra de sangue
É tu amor!
 Assassino cruel,
Vilão e mocinho,
Disfarçado, entra de mancinho
E quando menos se espera
O que me falta é um pouco mais de carinho.
Seta maldita!
Do maldito cupido!
Infame miserável!
Fez de mim um amante,
Deu-me um coração corrompido.
Por quê?
Diabos! Por que logo eu tenho que amar?
Deixa o amor para os outros
Para quem não tem o que fazer,
Para quem não tem o que dizer.
Eu não quero!
Então arranca do meu peito a roseira
Arranca-lhe as rosas de sangue
E poda-lhe os espinhos que cravejam meu coração
Lembra-te das raízes
Pois estas estão profundas
Enraizadas no âmago do meu ser.
Faz melhor, seja lá quem tu fores
Mata-me a teu bel prazer
Tortura-me e diz-me que amar é inútil
Mata-me e, por favor,
Faz-me parar de sofrer.

Quando apagam-se as luzes


 Quando apagam-se as luzes
Por T.H.R. oliveira

As luzes se apagam
Hora de dormir
Os amantes se afagam
E eu sozinho aqui

NO escuro do esquecimento
Apenas eu existo
Se eu amei, já nem me lembro
Nem sei mais o que sinto

Esse veneno que me mata a cada dia
Corrói-me e me enche de ódio
Se existe um prêmio para o fracasso no amor
Eu mereço o alto do pódio

Então fico eu aqui para sempre
Esperando por algo, sentado
Sonhando em ser feliz eternamente
Sonhando, apenas sonhando infelizmente

Dei-me conta que as luzes já se foram
Dei-me conta que fiquei sozinho aqui
Fiquei e me esqueci de ir
Mas é hora de sonhar, hora de dormir.

Luz do Dia


 Luz do Dia
Por T.H.R. Oliveira

O sol se deita no horizonte
A noite vem com seu manto negro
Trazendo sonhos perdidos
E a dor de corações partidos

Sentado aqui, observando a lua
Pergunto-me porque todo dia é assim
A luz nos abandona e segue seu caminho
Eu fico aqui e quando a noite vem, ainda estou sozinho

Canções de amor são fardos aos meus ouvidos
E eu me odeio por me sentir assim
A consciência é o anestésico e abafa
O som dos meus gritos aflitos

Papel e caneta são estas as minhas companhias
Pela longa madrugada acordado
Vivendo de sonhos não realizados
Esperando pelos próximos dias

Não existe quem possa entender
Não existe quem possa me ouvir
Só há estas páginas para escrever
E o desejo jamais vai se cumprir

Vem então, ó, luz do dia
Vem e traz novamente a vida
Traz a ilusão que me sustenta
E apaga as marcas da minha existência enegrecida.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Romântico Incurável

Acho que não preciso dizer nada aqui... o poema fala por si...
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Romântico Incurável
Por T.H.R. Oliveira

Me pego pensando às vezes
Porque é tão difícil amar?
Por que é tão difícil achar alguém
Alguém a quem eu possa me entregar

Pergunto-me se deve ser alguém igual a mim
Ou se seria melhor que fosse diferente?
Mas saberia eu lidar com algo assim,
Ou seria eu tão incompetente?

Meu coração sempre está apaixonado
Iludido, eu diria, pobre coitado
Facilmente se impressiona
Logo está despedaçado

Como poderei eu amar alguém?
Talvez não seja para ser assim
Estou tão cansado de procurar
Anseio chegar logo ao fim

A vida me tortura a cada dia
Quando da tristeza surge novamente
O prazer, aquela euforia
Só pra me convencer que me entreguei cegamente

Talvez eu não saiba amar
Talvez no mundo não haja mais amor
Talvez seja difícil me aturar
Ou amar seja viver em plena dor

Como eu queria poder dizer:
“estou feliz em amar você”
Mas quando não se há alguém para amar
O que eu devo fazer?

Estou eu errado
Por sofrer de um mal irremediável?
Doença de amor infindável
Eu, um romântico incurável

Então sofra pobre coração
Sofra e sangre
Entregue à própria solidão
Sofra e morra de paixão.

No Escuro

 No escuro
Por T.H.R. Oliveira

Fechei os meus olhos e Me deixei levar
Minha boca selada não ousou falar
Uma alma em redenção se perdeu
Vendida por um amor maldito
Minha existência evanesceu

Entregue no escuro
Perdido nas trevas
Na luxúria, na paixão
Corpo profano Eu sou a morada do pecado
Toque em Mim; sinta a pele do diabo

Eu dei o que me foi pedido
Em troca nada recebi
Deixe-me guiá-lo e libertar seus instintos animais
Torne-se meu agora
Pois na escuridão todos somos iguais

Deixe-me alimentar a chama em seu peito
O desejo na sua carne
Deixe-me revelar seus segredos e prazeres
Dê-me sua alma
Pois agora sou o que quiseres

Eu sou aquilo que você se recusou a reconhecer
Sou a sua morte e o seu caminho na decadência
Sou a destruição do seu mundo
Eu sou o grito de desespero na sua mente
Sou o terror que vive em você, lá no fundo.



Venha para o meu lado
Aceite o que Eu sou e me ame
Feche os olhos e mergulhe no Meu mundo desolado
Eu sou o princípio e o fim, sou seu amor, seu ódio, seu anjo, seu soldado.
Eu sou o seu desejo descontrolado.

Nome Negro, Asas de Prata


Nome negro, Asas de Prata
Por T. H. R. Oliveira


Na ausência da razão
Eu me vi à beira do precipício
E o que eu entendi
É a verdade de toda natureza
Desde que no céu foi escrito
O fim para a vida
Negro tem sido meu nome
E nas minhas asas prateadas
Eu levarei toda alma.
Assentei-me sobre a lua
E vigiei
Observei e me aterrorizei
Com o seu terror
Com o seu descaso
Com o seu desleixo
Para mim
Todos da sua raça
São iguais
Animais
Perdidos nas cavernas da mente
Pensando que pensam
Achando que tem razão
Iludindo-se com a auto-compaixão
Convencendo-se de que não merecem morrer
E que todos merecem uma segunda chance.
Patéticos!
Sim, você e toda sua raça
São deprimentes e patéticos
Seres sem respeito
E egoístas até mesmo nos atos de generosidade.
Nada se esconde do meu olho
Que queima através da carne
E vê através da intenção
E a natureza da sua espécie
É a negação.
Cegos pelo orgulho
Não admitem o que não conseguem compreender
E se perdem mais ainda na escuridão
Onde eu vos caço
E me alimento
Pois a sua derrota é a minha elevação.
Não é meu gosto ver a sua destruição
Mas o seu sofrimento
É minha diversão
Por ter violado minha casa
E profanado minha terra
Eu sou a sombra que se levanta do abismo
Para fazer justiça
E todo o universo e suas leis
Sabem que eu sou o justo
E o injustiçado
Pois caminhei no esquecimento
Ao longo de toda a existência
Sempre à margem dos acontecimentos
Sempre nas trevas, escondido
Culpado sem julgamento
Pelo medo e a ignorância,
Largado até o fim dos tempos.
Agora o meu brilho
É a única luz que verão
E com o bater de minhas asas
Suas vidas se abaterão
Pisarei nos ossos dos injustos
E torná-los-ei em pó
Sua carne profana será a minha refeição
E à meia-noite
Beberei seu sangue
E queimarei sua alma
Gaia não mais terá que suportá-lo
Nesta superfície
Ferindo a beleza com a sua negritude de alma
E a feiúra dos teus atos,
Pois na lâmina de minha foice
Encerrar-se-á sua vida
E a de todos que a isto merecerem
Quando olhar nos meus olhos
Veja sua vida
Veja o mundo
Veja o princípio e o fim
Perca-se no escuro do meu interior
E seja meu para sempre
Pois é no fim que tudo há de recomeçar.